A CHEGADA DOS REIS DOS REIS | Lucas 2.1-20



“Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem”.

É um texto extremamente conhecido é encantador e maravilhoso ver a forma como Deus se revelou a humanidade, como o Senhor do universo se transformou homem, através do Espírito Santo, semeado no ventre de uma adolescente. O nascimento de Jesus é tão simples, mas extremamente significativo. Quase imperceptível, mas percebido em todo universo. Não foi visto por todos os homens, mas foi visto pela fé por todos os que lhe esperavam. Revelado a todo mundo, mas impactante e transformador na vida de todos os que creem.

Como um decreto do Imperador, e do governador Querino da Síria, promovendo um censo do povo Judeu, provocou um frenesi nas cidades próximas a Jerusalém. E Belém é uma destas cidades, a agitação começou cedo, naquele dia tão importante para toda humanidade.

Jesus foi ao mesmo tempo comum e incomum. Alternava entre o normal e o heroico. Num instante estava conversando com seus pais e brincando com seus irmãos e logo em seguida já estava com os doutores da lei confrontando seus ensinamentos. Jantando com os pecadores e expulsando o inferno de um homem, currando um moribundo na beira da estrada. Quem é este homem, que conversa com crianças e adultos, pescadores e pecadores, com vento e com as ondas, e todos se encantavam e lhe obedeciam.

Ele poderia segurar o universo na palma da mão, pois ele é o Rei dos Reis, mas abdicou de tudo isso para flutuar no ventre de uma virgem chamada Maria, porque na eternidade ele desejou amar você.

Antes mesmo do sol nascer as pessoas já estavam na rua. Os vendedores ambulantes procurando o melhor lugar. Os lojistas abrem as portas dos comércios mais cedo. Os cães latem sem parar, e as coroças relinchando puxadas pelos jumentos.

O proprietário da estalagem já estava acordado antes das cinco da manhã. Afinal, a estalagem estava cheia, as camas todas ocupadas. Cada esteira e cobertor disponível estavam sendo usados. E todos os hóspedes logo estariam de pé, e teria muita coisa para fazer.

Será que alguém na mesa do café mencionou a chegada do jovem casal na noite anterior? Será que tinha alguém preocupado com o bem-estar deles? Alguém percebeu que a moça estava gravida e chegou montada em um jumento. Pode ser que alguém tenha ventilado este assunto. Mas creio que assunto passou batido. Não havia nada tão diferente neles, era mais um casal que precisou de um quarto e foi parar na estrebaria.

Mas esta jovem havia chegado na noite anterior e o processo de parto que ocorreu naquela noite, algo quase imperceptível, mas o divino estava ali numa simples manjedoura, com todo poder dos Reis dos Reis, toda profecia sobre o messias se cumpriu ali, que mistério. Nada tão simples, nada tão fabuloso. Nada tão comum, nada tão extraordinário. Nada tão ingênuo, nada tão inexplicável.

Quem diria que o Logos se encarnou. Que o Salvador da humanidade estava ali. Quem diria que o Reis do Reis, o Senhor do Universo estava deitado naquela manjedoura.

A pergunta é: Quem viu e quem ouviu esta notícia, quem teve a sensibilidade para ver e ouvir que o Descendente estava ali, que o prometido o esperado de todas as Nações chegou?

UMA FAMÍLIA ESCOLHIDA DESDE A ETERNIDADE

Ele veio não como um clarão de luz, não como um eclipse total da lua, não como cataclisma cósmico, mas como uma simples criança cujo os primeiros choros foram ouvidos por uma moça simples e um carpinteiro sonolento.

Havia uma expectativa de que o Messias poderia chegar a qualquer momento, que o descendente da Adão, de Abraão, de Davi chegaria. E para não haver dúvidas que de seu Reinado, tanto Maria quanto José eram descendentes do grande Rei Davi, mas agora é chegada a hora do Reis dos Reis ser revelado, visto e ouvido.

Ali na estrebaria daquela hospedagem simples, ninguém imaginaria que um jovem casal se hospedou. E na alvorada daquele dia o milagre da encarnação tinha se revelado, que no meio daquele fedor de estábulo, de urina dos animais, do esterco das ovelhas, do chão duro batido, e pouco feno nos cochos, com teias de aranhas descendo do teto, foi neste lugar que o impossível tinha ocorrido. O esperado de todas as nações chegou.

Deus se tornou carne. A eternidade interrompeu o tempo, a divindade interrompeu a carnalidade e o céu interrompeu a terra em forma de um bebê. Não poderia existir um local de nascimento mais modesto. Mas aquele era o lugar perfeito, o melhor lugar para o filho de Deus nascer! O cristianismo nasceu de uma enorme interrupção celestial.

De um lado os pastores, não sabemos muito deles, nem quantos eram, sabemos que cuidavam das ovelhas nesta noite, desejavam sempre uma noite tranquila, sem lobos, pumas ou ladrões, mas foram convocados, uma agitação santa naquela noite. Anjos apareceram e ficaram aterrorizados, e o convite é feito para irem ver a benção divina que era chegada. A mudança sempre traz medo antes de produzir fé.

Pois sempre esperamos pelo pior antes de enxergarmos o melhor. Deus interrompe nossa vida com algo que nunca vimos, e em vez de louvá-lo, entramos em pânico, fugimos. Mas os ouvidos e olhos dos pastores foram abertos e receberam a boa notícia: “Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Assim, em silêncio, perplexos, talvez espantados e extasiados, sem dúvida estavam maravilhados.

Do outro lado os ‘reis’ magos, que vieram de longe, seguindo o sinal que o Rei tinha chegada a terra, com a profecia na mão, na mente e no coração foram procura-lo num palácio, mas o encontraram num estábulo de uma hospedaria, fascinados por

tudo que viram e ouviram, não bastava ver a estrela de Belém, mas a estrela da manhã estava deitada na manjedoura, também estavam extasiados e maravilhados.

Mas estava ali uma sinfonia de anjos, com cânticos angelicais, com sons dos céus, com melodias eternas, a celebração começou nas alturas celestiais e agora tem hora e lugar, na vigília da noite até o sol raiar. O céu noturno se encheu de luz. Todos ali maravilhados e o coro dizia: “Gloria a Deus nas alturas”!

Mas aquele que enviou os anjos, que atraiu os pastores e os magos, estava ali no colo de uma adolescente. Todos queriam ver o bebê, o Reis dos Reis estava ali.

Enquanto José está cansado e sonolento, Maria está bem desperta. Incrível como ela é jovem! Sua cabeça repousa tranquila na sela de José. A dor foi eclipsada pelo deslumbre. Olha para o rosto do bebê, seu filho, seu Senhor, o Rei dos Reis em seus braços. Eis o vislumbre de Maria, compreendendo a história da humanidade.

Ela não conseguia tirar os olhos dele. Ela enxergava para além daquele momento, ela vê a promessa do descendente tão esperada sendo cumprida ali naquela hospedaria. Maria sabe quem ele é Deus em carne e osso. Assim ela se lembra das palavras do anjo: “Seu Reino jamais terá fim”.

Mas ali na manjedoura ele não parece um rei, suas bochechas rosadas, seu choro, apesar de forte e saudável, é o choro de um bebê desamparado. E ele é absolutamente dependente de sua mãe Maria. Totalmente homem.

A majestade sem o trono. A santidade junto a imundície do esterco e suor das ovelhas. A divindade adentrando o mundo no chão de um estábulo, através do ventre de uma adolescente e na presença de um carpinteiro.

Este bebê contemplara o universo. Os trapos que o matem aquecido eram os mantos da eternidade. Sua sala do trono revestida de ouro fora abandonada por uma hospedaria em Belém. E as legiões de anjos substituídos por alguns pastores e magos perplexos.

QUE VENHA O SEU REINO

Os mercadores não fazem ideia de que Deus visitara seu planeta. O estalajadeiro jamais acreditaria que havia deixado Deus passar frio. E se ele contasse esta história

a seus amigos é certo que zombariam dele. Estavam todos ocupados demais para considerarem que o grande Rei esperada das nações estaria ali em uma estrebaria. Estavam todos correndo atrás de seus afazeres. Estavam todos presos neste tempo.

Os que perderam a chegada de sua majestade naquela noite não o perderam apenas por causa de ações más ou malícia, não, perderam simplesmente porque não estavam olhando, não estavam ouvindo, não estavam atentos, faltou uma espera confiante, faltou sensibilidade espiritual, faltou crer que a chegada do Rei estava próxima.

Pouca coisa mudou depois de 2019 anos, ninguém espera a Parousia, a volta do Rei dos Reis, muitos continuam surdos e cegos espiritualmente.

Somos o que vemos. Nossa visão nos move para a ação. Se não conseguimos enxergar para além de nós mesmos cultivamos nossa eternidade no sofrimento. Pois os seres humanos não foram criados para habitar no nevoeiro obsoleto das terras inferiores, sem visão alguma de seu Criador.

É por isso que Deus se aproximou. Para ser visto. Jesus é a revelação exata do Criador. Só através dele veremos a gloria do Altíssimo. E veremos como Estevão: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus”.

Quem quer ver o Rei. O cristianismo em sua forma mais simples, nada mais é que VER JESUS. O serviço cristão, em sua pura forma, nada mais é que imitar o que vemos. Ver sua majestade e imitá-lo.